segunda-feira, 14 de março de 2011

Origem e apogeu dos Cavaleiros Templários

Entre os anos de 1095 e 1099 aconteceu a Primeira Cruzada que levou os cristãos europeus a conquistarem territórios que estavam sob controle muçulmano na Terra Santa. Mas no reino que eles estabeleceram por lá faltavam tropas militares para garantir a segurança numa terra cercada por  inimigos. Além disso, muitos peregrinos cristãos europeus que iam para Jerusalém ficavam à mercê de ataques de bandidos. Entre 1119 e 1120, um nobre francês chamado Hugo de Payens e um grupo de oito cavaleiros franceses prometeram se dedicar à proteção dos peregrinos e a formar uma ordem militar-religiosa com esse propósito.



Castelo dos Templários em Ponferrada, na Espanha. Em 1178, a cidade foi doada para os Templários para protegerem os peregrinos.
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Castelo dos Templários em Ponferrada, na Espanha. Em 1178, a cidade
foi doada aos Templários para que eles protegessem os peregrinos

Eles partiram para o Reino de Jerusalém e ofereceram seus serviços ao rei Balduíno 2.°, que não só aceitou como também ofereceu para a futura Ordem uma parte do palácio real que ficava localizada onde eles acreditavam havia sido o Templo do Rei Salomão. Payens iniciou então a formação de uma milícia que foi nomeada como Ordem dos Pobres Cavaleiros de Cristo e do Templo de Salomão. Mas Hugo e os cavaleiros não queriam apenas defender o Santo Sepulcro e os peregrinos, eles pretendiam também viver como monges com votos de pobreza e castidade.

Em 1127, Hugo partiu de volta para a Europa em busca de mais recursos para a Ordem. Sua ideia foi muito bem recebida por nobres, principalmente na França, Espanha e Inglaterra e ele obteve generosas doações. Nos anos seguintes, além das doações ele conseguiria um apoio fundamental para a importância e o poder que os Templários teriam: a simpatia e o apoio do abade Bernardo de Clairvaux, na época um dos mais influentes intelectuais europeus. Bernardo não só escreveu as regras que regeriam os Templários e textos que defenderam a Ordem das críticas por sua atuação religiosa-militar, como também ajudou os Templários a conseguir vários privilégios do papa Inocêncio 2.°, como o que que os isentava das jurisdições epsicopais e os ligava hierarquicamente direto com o papa.



Santo Graal
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Bernardo - que seria canonizado e viraria santo - obteve também para os Templários o direito ao "malicídio", uma espécie de "licença para matar", no melhor estilo James Bond. Só que como o ato de matar outro ser humano era algo condenado pelos Dez Mandamentos, e portanto por Deus, era preciso justificar a tarefa dos Templários de matar os "infiéis", nesse caso os muçulmanos. O abade Bernardo então teorizou que nesses casos matar em nome de Deus não era um homícidio, pois não estava se matando homens e sim encarnações do mal, portanto tratava-se de um "malicídio", e isso podia.

Em meados do século 12 os Cavaleiros Templários eram ricos, poderosos e independentes. Calcula-se que a Ordem chegou a acumular nove mil propriedades espalhadas pela Europa e a Palestina. Os Templários construíram castelos e igrejas e guardaram tesouros da nobreza e da realeza. Começaram também a emitir cartas de crédito para peregrinos europeus que iam a Terra Santa. A pessoa depositava uma quantia na Europa e poderia usá-la quando estivesse em Jerusalém.



Ainda que ricos e acumulando a inédita função de banqueiros internacionais, o que mais interessava aos Templários era lutar. A mistura da habilidade com a espada e como cavaleiros com a valentia, o fanatismo religioso e a arrogância, que muitas vezes os conduziu a batalhas suicidas, tornaram os Cavaleiros Templários verdadeiros guerreiros temidos por todos os inimigos. A estrutura hierárquica da Ordem tinha um grão-mestre como líder principal e vitalício, que ficava em Jerusalém, e os territórios sob influência dos Templários eram divididos em províncias, cada qual com seu comandante templário.

As vitórias em batalhas fizeram a reputação da Ordem crescer e aumentaram as doações e o interesse de cavaleiros em participar da Ordem. Mas a arrogância e a ganância dos Templários também cresciam, o que os fez desviar de seu objetivo principal. Além disso, a postura belicista da Ordem começou a ser um problema para os governantes cristãos na Terra Santa, que cercados por uma mar de muçulmanos viam cada vez mais a negociação com os adeptos do Islamismo como uma solução para sua sobrevivência por ali, nem que fosse temporariamente. No entanto, os Templários não pensavam assim e preferiam sempre partir para a luta de uma vez, o que foi um erro fatal como veremos na próxima página.

Vida de monge-guerreiro

O cotidiano dos Templários era muito similar ao dos monges. Baseada nas seis centenas de regras escritas por Bernardo de Clairvaux, a vida espartana deles incluía dezenas de orações diárias, participar dos serviços religiosos nas horas canônicas, um calendário com datas de jejum e abstinência de carne. Eles não podiam apostar, beber e xingar, tinham de viver em comunidade e dormir em quartos coletivos, nunca no escuro e sempre de calças e botas. Deviam fazer as refeições todos juntos, não podiam fazer a barba, era proibido caçar e não podiam ter qualquer contato com mulheres - era proibido inclusive beijar a mãe e a irmã. Um cavaleiro que fugisse de uma batalha, voltasse vivo após uma derrota ou ameaçasse um cristão era afastado da comunidade, perdia seu manto branco e tinha que comer nos corredores durante um ano. Já o que adotasse práticas homossexuais era banido da Ordem e teria que expiar os seus pecados numa outra ordem religiosa.

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